quinta-feira, 26 de junho de 2008

EU TENTO NÃO ENVELHECER!


Se é uma coisa que me apavora é envelhecer!


O motivo? Não sei...



Talvez seja por causa das minhas promessas de permanecer sempre jovem na minha adolescência romanticamente rebelde.


Mas acontece que as pessoas já me chamam de senhora e isso é como uma facada no peito.


Por que me chamam de senhora?



Por que eu sou mãe? Duvido que chamem minha amiga Kaká [engravidou cedo] de senhora!


Duvido que chamem o Mick Jagger de senhor! Aquele sim está fazendo hora extra na Terra.


Por que eu sou advogada? Sempre deixo meus clientes bem a vontade, alguns me chamam de Dra Fabi!


Sim, Fabi é bem melhor!


Tenho 31 anos, muitos dos meus alunos são mais velhos do que eu! Já alguns alunos entre 18 e 25 anos acham que só existe a juventude deles sobre a face da Terra! Se duvidar, se surpreenderiam ao saber que eu ouço Titãs. Mal sabem eles que em 1990 fui ao show "Cabeça de Dinossauro". Isso sim era música! rs


Bom, acontece que eu tento não envelhecer, apesar do surgimento dos meus primeiros cabelos brancos!


Ando descalço, almoço no quarto, dirijo cantando, ouço Pânico na rádio, não me importo em pegar chuva pelo caminho.


No entanto, lugares muitos cheios não são mais pra mim. Do mesmo modo não tenho mais saco para aturar certos tipos de pessoas, quer sejam pessoas chatas, invejosas, supérfluas ou sem conteúdo. Estou ficando chata e com dor no nervo ciático.


Mas como diz minha mãe, e minha vizinha de 80 anos: "A idade não importa, a idade está na cabeça!"


E não é que elas estão certas?




sexta-feira, 23 de maio de 2008

Maior que a inflação!



Neste último mês a Laura aprendeu novas palavras.


Antes, era apenas mamãe.

Agora, além de suas chamadas intermináveis para a mamãe aqui, sabe falar papai [mas nos apuros da vidinha dela, ela prefere chamar a mamãe], ábua [leia-se água], outro, auau [cachorro].


Veja-se que em um mês seu aprendizado foi de 400%, no que se refere ao aspecto fala. Ou seja, 3x mais que o juros anual praticado pelos mercenários e capitalistas banqueiros.

Isto é, a Laura desenvolve mais que qualquer aplicação na bolsa de valores.

Por isso, creio que estou muito rica! Rica de amor, beijinhos e felicidade de ver minha F5 se desenvolver assim!





terça-feira, 20 de maio de 2008

Botão on/off


Sim, durante muito tempo desejei que a Laura tivesse um botão on/off para que eu pudesse me alimentar, tomar banho ou simplesmente dormir, como antes de seu nascimento.Mas descobri que nunca mais voltarei à esta condição anterior, ou seja, serei mãe eternamente com todos os intempéries* do ofício. Assim, se por um bom tempo desejei desativar a função mãe, atualmente não consigo imaginar minha vida sem a Laura.

Esterilizar mamadeiras, fazer papinhas [mesmo que seja para jogar fora depois], revisar a mala pra o berçário, ler a agenda diária das atividades do berçário, preparar as chuquinhas, embalar o sono, provocar gargalhadas e pequenas risadinhas das nossas brincadeiras é muito bom.Fico derretida ao vê-la dizer "Aô" ao telefone e deixo ela pedir "ábua" mais de uma vez apenas para admirá-la!
Também retornei a uma parte de mim esquecida. Agora meu programa favorito no jardim de casa é tomar água abaixada diretamente da torneira junto com a Laura! Que copo, que nada! O bom é fazer diferente! Molhar o pão no café, andar de mãos dadas e de repente soltar um berro "vou pegar a Laura" e ela sai correndo em passos apressados e cambaleantes soltando pequenas risadinhas tentando fugir de mim! E antes de dormir, olhá-la e pensar que tudo valeu a pena.

Me sinto orgulhosa em saber que irei contribuir para o crescimento da minha filha, para que ela se torne uma mulher com valores e princípios éticos, para que ela se torne uma pessoa melhor e principalmente, bem melhor que eu.

INTEMPÉRIE, do Lat. intemperie. s. f., mau tempo; perturbação atmosférica; tempestade.

Eu me rendo!



Quantas mentiras nos contaram; foram tantas, que a gente bem cedo começa a acreditar e, ainda por cima, a se achar culpada por ser burra, incompetente e sem condições de fazer da vida uma sucessão de vitórias e felicidades.

Uma das mentiras: É a de que nós, mulheres, podemos conciliar perfeitamente as funções de mãe, esposa, companheira e amante, e ainda por cima ter uma carreira profissional brilhante.
É muito simples: não podemos.


Não podemos; quando você se dedica de corpo e alma a seu filho recém-nascido, que na hora certa de mamar dorme e que à noite, quando devia estar dormindo, chora com fome, não consegue estar bem sexy quando o marido chega, para cumprir um dos papéis considerados obrigatórios na trajetória de uma mulher moderna: a de amante. Aliás, nem a de companheira; quem vai conseguir trocar uma idéia sobre a poluição da Baía de Guanabara se saiu do trabalho e passou no supermercado rapidinho para comprar uma massa e um molho já pronto para resolver o jantar, e ainda por cima está deprimida porque não teve tempo de fazer uma escova?

Mas as revistas femininas estão aí, querendo convencer as mulheres - e os maridos - de que um peixinho com ervas no forno com uma batatinha cozida al dente, acompanhado por uma salada e um vinhozinho branco é facílimo de fazer - sem esquecer as flores e as velas acesas, claro, e com isso o casamento continuar tendo aquele toque de glamour fun-da-men-tal para que dure por muitos e muitos anos. Ah, quanta mentira!

Outra grande, diz respeito à mulher que trabalha; não à que faz de conta que trabalha, mas à que trabalha mesmo. No começo, ela até tenta se vestir no capricho, usar sapato de salto e estar sempre maquiada; mas cedo se vão as ilusões. Entre em qualquer local de trabalho pelas 4 da tarde e vai ver um bando de mulheres maltratadas, com o cabelo horrendo, a cara lavada, e sem um pingo do glamour - aquele - das executivas da Madison. Dizem que o trabalho enobrece, o que pode até ser verdade. Mas ele também envelhece, destrói e enruga a pele, e quando se percebe a guerra já está perdida.

Não adianta: uma mulher glamourosa e pronta a fazer todos os charmes - aqueles que enlouquecem os homens - precisa, fundamentalmente, de duas coisas: tempo e dinheiro. Tempo para hidratar os cabelos, lembrar de tomar seus 37 radicais livres, tempo para ir à hidroginástica, para ter uma massagista tailandesa e um acupunturista que a relaxe; tempo para fazer musculação, alongamento, comprar uma sandália nova para o verão, fazer as unhas, depilação; e dinheiro para tudo isso e ainda para pagar uma excelente empregada - o que também custa dinheiro.

É muito interessante a imagem da mulher que depois do expediente vai ao toalete - um toalete cuja luz é insuportavelmente branca e fria, retoca a maquiagem, coloca os brincos, põe a meia preta que está na bolsa desde de manhã e vai, alegremente, para uma happy hour. Aliás, se as empresas trocassem a iluminação de seus elevadores e de seus banheiros por lâmpadas âmbar, os índices de produtividade iriam ao infinito; não há auto-estima feminina que resista quando elas se olham nos espelhos desses recintos.

Felizes são as mulheres que têm cinco minutos - só cinco - para decidir a roupa que vão usar no trabalho; na luta contra o relógio o uniforme termina sendo preto ou bege, para que tudo combine sem que um só minuto seja perdido. Mas tem as outras, com filhos já crescidos: essas, quando chegam em casa, têm que conversar com as crianças, perguntar como foi o dia na escola, procurar entender por que elas estão agressivas, por que o rendimento escolar está baixo. E ainda tem as outras que, com ou sem filhos, ainda têm um namorado - ou marido - que apronta, e sem o qual elas acham que não conseguem viver .

Segundo um conhecedor da alma humana, só existem três coisas sem as quais não se pode viver: ar, água e pão. Convenhamos que é difícil ser uma mulher de verdade; impossível, eu diria.

Parabéns para quem consegue fingir tudo isso....


[DANUZA LEÃO]

Fui escolhida!



Agora eu percebo que mesmo no meus maiores momentos de autonomia*, eu não escolhi! Não fui eu que dirigi minha vida! Forças ocultas e maiores que minha própria vontade sempre me levaram aos caminhos sinuosos da vida!


E isso começou na primeira infância: Fui adotada, minha mãe me escolheu! Agora, adulta, fico imaginando que tamanho de amor é esse que transcende os laços sanguíneos e caracteres genéticos?


Já em relação à minha filha, Laura, eu também não a escolhi! Justamente, não quis ser mãe! Amo dormir a noite inteira, a manhã inteira e quiçá a tarde também. Não sei cozinhar e há muito perdi a satisfação por afazeres domésticos! Da mesma forma, irritava-me com choro de criança, birras e qualquer outro fato ligado à estes pequenos seres não falantesMas ela me escolheu. De início achei meio estranho ser mãe, afinal, apesar de beirar a "maturidade" me sentia mais filha do que qualquer outra coisa.


Mas a partir daquele momento eu deveria não apenas dirigir a minha vida com perfeição, mas saber dirigir a da minha filha também!


Estou tentando até hoje! Confesso que acho uma tarefa árdua. Ainda não me habituei com a minha rotina que a Laura já tomou como hábito. Lógico é a rotina dela e não a minha!No entanto, tal experiência é recompensadora!Vejam bem! No auge da minha carência típica do signo de peixes, sou a pessoa mais importante do mundo para minha filha! E isso, nem meu mastercad paga!


"autonomia" do Gr. autonomia, autós, próprio + nómos, leis. f., estado do que é autónomo; liberdade moral ou intelectual; independência administrativa e/ou financeira; liberdade que tem um país, uma região, de se administrar segundo as suas leis.